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A língua portuguesa e a governança da Internet
Heber Maia
CGI.br, Secretaria de Governo Digital, Ministério da Economia do Brasil
22-11-2022
A língua portuguesa e a governança da Internet
A internet é hoje o principal território da comunicação. É um ambiente multimídia onde estão interligadas uma quantidade incontável de redes. Mensagens comunicacionais podem ser transmitidas em diversos formatos, texto, imagens, áudio e vídeo. Praticamente todos os meios de comunicação desenvolvidos pela humanidade são passíveis de serem transmitidos e reproduzidos com capacidade de replicação instantânea e alcance praticamente global. Um conteúdo publicado na Internet se torna praticamente omnipresente em todos os rincões do planeta.

Todo esse avanço tecnológico exige também reflexões sobre as formas de evolução, fortalecimento e disseminação das línguas. A força de uma língua neste ambiente inédito de tecnologias disruptivas e transformadoras depende também da capacidade dos seus falantes de trabalharem na adaptação desta língua e no seu preparo para as tecnologias linguísticas.

No âmbito da governança da Internet podemos pensar em duas frentes de trabalho: 1) produção de conteúdo; e 2) proteção dos falantes da língua. A primeira diz respeito à promoção da língua por meio da  produção de conteúdos e soluções digitais a serem disponibilizadas para a sua comunidade de falantes. A segunda se relaciona com a necessidade de regulações nacionais e internacionais da Internet que se adequem às realidades das línguas, e a criação de mecanismos de proteção desta comunidade contra a disseminação de discursos de ódio e segregacionistas como misoginia, homofobia, racismo, dentre outros. 

As soluções e aplicações digitais disponibilizadas em rede impactam diretamente na realidade cotidiana das pessoas. Com elas conseguimos aprender novos conteúdos, podemos ter acesso a momentos de lazer, somos capazes de diagnosticar problemas de saúde, desenvolver novos conhecimentos e inovar. São quase infinitas as suas possibilidades de uso. Porém, a inexistência de conteúdos e aplicações na língua de uma determinada população leva seus indivíduos a procurar soluções em outras línguas. Ou exclui estes indivíduos do acesso a inovações em função do não domínio de outra língua. Hoje é raro uma inovação tecnológica que não alcance primeiro os falantes da língua inglesa. Muitas soluções tecnológicas inovadoras sequer alcançam ou beneficiam boa parte das populações que não falam inglês.

Por outro lado, em relação à proteção dos povos lusófonos no espaço pluriterritorial da língua portuguesa na Internet, precisamos desenvolver soluções digitais e legislações que preservem os falantes da língua portuguesa de ataques discriminatórios e discursos violentos, conteúdos de desinformação e manipulatórios. Também faz parte deste esforço a proteção da privacidade e dos dados pessoais.

Esse é um papel da governança da Internet e os seus resultados podem ser potencializados por meio de uma ação conjunta entre os países que adotam oficialmente a língua portuguesa. Precisamos ampliar o debate sobre os impactos da Internet sobre os falantes da língua portuguesa e possíveis efeitos positivos de uma ação unificada e colaborativa.



Nota: os artigos deste blog não vinculam a opinião do .PT, mas sim do seu autor.
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